Minha alma escorre como em um rio de palavras. Sou uma metáfora que ressoa como um gemido de uma Fênix em pedaços. Há uma chama que consome minha imagem, meu reflexo e meu aroma. Estou perdido, sem memória possivel, desaparecido e pulsando. Não há mais sóis nem templos de ilusão. Existo como um EU, que se reconstroi entre cacos e silêncio.
Quinta-feira, Março 30, 2006
Strings. Foto de Salvador Dalí
DISJUNÇÃO-ATRAÇÃO
1.
Palavras...
quando todo o resto falta
apenas palavras para rir de si mesmo, matando-se.
2.
Meu corpo...
touro sangrando na arena
seu corpo, espada de ouro que me atravessa a carne.
3.
Aquele abismo...
Mistério silencioso por onde caminho
meus pés, minhas mãos, meus olhos atados e em fluxo.
4.
Amor...
instante perdido no agora, no nunca.
Eu, tu, duas estrelas em conjunção, fusão nuclear e eclipse.
5.
Eu...
ainda me pergunto se realmente sou.
Para quê? Por que? Como? Onde? Respostas inúteis e banais.
6.
Devoro meu sono
como uma aranha que se pensa
e cada vez mais tece seu labirinto e sua armadilha invisível.
7.
...
...
... ?! (Talvez... ou não!)
(L. F. Calaça | 29/01/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 5:29 PM Comments:
Quarta-feira, Março 29, 2006
Mia Couto
"Acontece que o mundo é sempre grávido de imenso.
E os homens, moradores de infinitos, não têm olhos a medir.
Seus sonhos vão à frente de seus passos.
Os homens nasceram para desobedecer aos mapas e desinventar bússolas.
Sua vocação é a de desordenar paisagens".
(Mia Couto)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 11:35 PM Comments:
Terça-feira, Março 28, 2006
TRISTEZA
Estou aqui, neste espaço finito.
Eu e meu labirinto de imagens.
Silêncio, sono e ausência.
Novamente, renovado o fio
de água translúcida e sal azul
escorrendo dos olhos, oásis.
Meu corpo, meu deserto.
Sem campos, só miragem
atravessando a boca muda.
Meu sono, seu olhar...
Quadro de areia cinza.
(L. F. Calaça | 28/03/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 5:05 PM Comments:
Segunda-feira, Março 27, 2006
POEMA ANÔMALO
Êxtase, êxtase. O mundo sem batidas na porta,
sincronia e precipício. Princípio alucinado.
Parte de mim, repartido, transpassando o solo.
Alvo e flecha, vício , gozo e insanidade.
Metamorfose e metalinguagem, cadeiras e fogo.
Minhas idéias num ritmo corrupto e louco.
Você...você e minhas pegadas em coágulos de sangue,
manchas delineando o caminho de areia e vidro.
Meu olhar, minha sombra e memória rarefeitas.
O quase instante, o quase desejo apagado do corpo.
Minha miragem, Lua e Sol em eclípse explosivo.
Mímese, metáfora e gritos estilhaçados de ilusões.
Meus dedos doloridos, fragmentos de indizível.
Os reflexos, seu corpo, a brisa na torre azul.
Jamais voltarei ao instante profundo e irreal,
em que eu era duplo e eterno naquele agora.
Meu recomeço. Nada e silêncio mudo.
(L. F. Calaça | 27/03/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 2:03 PM Comments:
Sábado, Março 25, 2006
ORAÇÃO DO ENCONTRO
Um Encontro de dois: olhos nos olhos, face a face.
E quando estiveres perto, arrancar-te-ei os olhos e colocá-los-ei no lugar dos meus;
E arrancarei meus olhos para colocá-los no lugar dos teus;
Então ver-te-ei com os teus olhos e tu ver-me-ás com os meus.
(Jacob Levy Moreno)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 9:27 AM Comments:
AMOR EM DIA DE CHUVA
Meu inverno, minha miragem, o deserto.
Acorrentado em meu espectro singro
o tempo transpassado por metáforas
entre o transcúlido e o quase divino.
Não uso nem creio nos simbolos cabalísticos.
Meu espaço e minha memória sob meus pés,
no perímetro circular das coisas que dançam
entre fogueiras, ondas e luar anoitecendo.
Aqui, meu desejo, meu sacrifício de sangue.
Meu poema amarrado à minha materialidade.
Esquadro, régua, medidas imprecisas, inúteis.
Eu sou eu e risco meu destino no agora.
Ainda canto e sangro a demora e espera.
Seu beijo perdido em minha boca aberta,
enquanto olho o mundo desmaterializado
entre meu sopro, meu limbo, minha inércia.
Um beijo além da boca & o espelho refratário.
(L. F. Calaça | 25/03/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 8:56 AM Comments:
Segunda-feira, Março 20, 2006
IN THE COLD LIGHT OF MORNING
Interprete: PLACEBO
Album: Meds
In cold light of morning while, everyone is yawning,
You're high,
In the cold light of morning the party gets boring, you're high.
As your skin starts to scratch and wave yesterdays action goodbye..
Forget past indiscretions,
And stolen possessions,
You're high,
In the cold light.
In the cold light of morning, while everyone's yawning,
You're high.
In the cold light of morning ,
You're drunk sick from whoring and high,
Staring back from the mirrors,
A face that you don't recognise..
It's a loser, a sinner, a cock in a dildo's disguise,
In the cold light.
Tomorrow,
Tomorrow,
Tomorrow,
As your skin starts to scratch,
And wave yesterdays action goodbye.
Forget past indiscretions,
And stolen possessions,
You're high.
In the cold light of day..
Tomorrow's only a king,
Whistle,
Whistle,
Whistle,
Whistle,
Whistle,
Whistle,
Whistle,
Whistle,
whistle,
Away ..
In the cold light of day.
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 9:58 PM Comments:
Domingo, Março 19, 2006
FOLLOW THE COPS BACK HOME
Interprete: PLACEBO
Album: Meds
The call to arms was never true,
Time to imbibe, here's to you,
I'll tell you stories bruised and blue,
Drum machines and landslides.
Just one more round before we're through,
More psychedelic yuppie flu,
It's such a silly thing to do,
Now we're stuck on rewind..
Let's follow the cops back home,
Follow the cops back home,
Let's follow the cops back home,
And rob their houses.
The call to arms was never true,
Let's take a ride and push it through,
Suspended animation in blue,
Blame it on apartheid,
Let's spend the night in Jimmy's shoes,
I'll give you coats and cheap shampoo,
I'll give you nothing else to do,
Now we're stuck on rewind..
Let's follow the cops back home,
Follow the cops back home,
Let's follow the cops back home,
And Rob their houses..
Let's follow the cops back home
Follow the cops back home
Let's follow the cops back home
And rob their houses..
The call to arms was never true,
I'm medicated..how are you?
Let's take a dive swim right through,
Sophisticated point of view.
Let's follow the cops back home
Follow the cops back home
Let's follow the cops back home
And Rob their houses..
Let's follow the cops back home
Follow the cops back home
Let's follow the cops back home
And rob their houses..
Placebo
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 3:35 PM Comments:
POEMA E COITO INTERROMPIDO
Minha imagem refletida na tela de vidro.
O som metálico, vibrações e dissonância.
Cartas cheias de idéias sem sentido e o
beijo repartido entre bocas e talvez.
Continuo depois... depois de respirar.
Ou talvez ganhe novos rumos - meus pés!
Silêncio devorando os lábios em fenda,
línguas, ínguas, hímen, sal e ópio.
Agora não... agora apenas o agora ou nada.
Eu em meu aquário de palavras e secreções.
Equações e paralelogramos sem segmentos,
sem razão ou lógica entre hemisférios polares.
E... e... e que nada sai do lugar, e tudo transborda.
Aqui meu sentimento de ânsia e necessidade.
Lá, algo além da imagem primária envidraçada.
Estou parindo um poema travestido. Coisa e caos.
Desejo e ânsia de transgressão impossível.
(L. F. Calaça | 19/03|2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 11:38 AM Comments:
Sábado, Março 18, 2006
METANÓIA ESQUIZÓIDE
Poemas... poemas... provérbios sem lição, no final.
Para viver no inverso de árvores nuas e ressecadas
- meu olhar na noite distante de minha teia -
esconderijo de meu corpo, carne exposta.
Fotos e cenas de um ritual prolongando o som
frenético e ininterrupto de atabaques multicromos.
Suas mensagens de fumaça, delírio e gozo xamânico,
minha omoplata e meu sinal desenhando o céu-estrela.
A grande flor vermelha ensanguentada treme
a terra e seus ruídos, buzinas e chocalhos de serpentes.
A dança de Omolu-Obaluaê, deus das chagas e dos sopros
no candomblé-senzala de meu corpo branco-estrela-morta.
E o deserto de trincheiras, dois fantoches à espera
de um deus sem olhos, sem mãos e sem cuecas.
Grande falo invadindo as fendas do mundo em brasa,
abalando as cidades, fecundando o pranto absurdo.
Vibrações... meu abraço sufocando o peito.
(L. F. Calaça | 18/03/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 7:00 PM Comments:
Sexta-feira, Março 17, 2006
ORFEU HIPERMODERNO
Arrancarei suas víceras com minhas garras metálicas
e decodificarei os logarítmos iconoclástas da memória.
arrastando cargas de cimento e carvão em brasa
entre o milímetro aquoso e o trágico desmentido.
Homem-vulto atravessando as pistas cibernéticas.
O céu em chamas e as vidraças explodindo lanças
e os filetes de sangue lavando as esquinas translúcidas,
onde poetas vomitam suas óstias de ilusão e náusea.
Metamorfoseio o quase declínio deste microcosmo
entre rajadas incandescentes de gritos loucos.
Metendo meus dedos nos curtos filamentos de luz,
que desprendem do olho celeste entre os tijolos.
Aqui... As grades, as lanças, as lamparinas aladas,
pedras espalhadas nas entradas do aterro asteca.
Cilindros de vidro deslisando no parapeito das escadas
onde meu corpo líquido jaz despido e em pedaços.
(L. F. Calaça | 17/03/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 9:53 PM Comments:
VAIVÉM DESMUNDO
Sou quase...
Imediatamente após, sou.
Sou quase aquilo que deixei amanhecer.
Sou meu sentido e sentimento desmentido, no sei lá o quê.
Sou coisa nenhuma, pois ser é demais para minha incoerência.
Apenas pareço alguém sobre o armário entreaberto
balançando as pernas em queda,
dilacerando-me num salto.
Sou o que talvez
- quem sabe um pouco de mímica?!
Sou meu rosto impresso no vidro fumê daquele andar
e meu caminhar pela noite, saltimbanco, sonolento, paraplégico.
Meu amor, sinta as nódoas coaguladas no colarinho
e seu cheiro etílico diluído em sangue cinza.
Continuo atravessando paredes
e estremecendo o mundo.
(L. F. Calaca | 17/03/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 9:15 PM Comments:
HIGIÊNE ou O ANDRÓGINO
A tarde destila seus feixes enlouquecidos de sol alaranjado. Eu, minha pele grudada à roupa que me recobre todo. O suor deslisando em gotas gordas e salgadas. À espera de um ônibus sonâmbulo. Já é quase tarde demais, um pouco antes ou depois. Meus pés, também cobertos por uma sandália velha e empoeirada, tem dedos de unhas semi-longas. Chega meu veículo de mudança. Atravesso a engrenagem em estrela e me ponho em pé, no corredor ainda vazio. Pelo horário sei que logo logo encherá de gente, aumentando o calor das luzes alaranjadas. Meus braços brancos, pálidos, quase azulados, estendido para cima, segurando a barra de ferro frio e visgoso. Milhares de mãos alheias, suas digitais, seus suores, seus lodos. Olho para baixo. Vários
eles. Na outra extremidade, um ele de olhos úmidos. Trocamos olhares. Disfarçamos. Dou um sorriso de canto de lábio. Um sorriso de Monalisa. Continuo meu trajeto solitário, sem mais ninguém. Meu corpo cansado desejoso. O suor gotejando da testa e deslisando nas costas peludas. Pensamentos sobre um jato de água, um chuveiro, e eu a lavar meu sexo, a acariciar minhas coxas. Eu devagando pela ilusão de um toque solitário, como muitos outros, sempre, sempre, em repetição. Minhas coxas e meu sexo. Volto a olhar. Olhares disfarçados. Mil outras pessoas se aglutinam agora, comprimidas umas de encontro às outras. Dele, apenas o boné cor de sujeira, a camisa verde e calça
jeans. Um homem que gosta de homens. Os olhos úmidos denunciam. Sempre os mesmos olhos úmidos de criança pedinte. Meu sexo... Minhas coxas aveludadas, estírilidade. Também eu e meus olhos entrecruzados. Eu desejando meu reverso, meu inverso, meu verso, meu poema de coxas, sangue, esperma. Eu e a conjunção de corpos monomórficos. Monossílabos. Monocelhas. O ônibus abarrotado. Corpos se roçando ao meu comprimido entre a bolsa a tira-colo que disfarçava meus impulsos. Eu... eu... eu... O ônibus e sua sombra parada, enquanto as curvas e muradas corriam em solavancos. Corpos muitos atravessando a passagem estreita entre eu e outros eles. Eles e eles e eles. Minhas nuvens. As gotas salinas deslisando entre as verilhas e o sexo. O sexo. O sexo. Fixação. Eu e minha dupla chama, a metáfora golpeando a realidade em palavras. Queria um gozo em dor, sem sentidos, sem idéias ou destinos certeiros. Ele e seus olhos úmidos. Ele, eu, meus mistérios. Meus suor e saliva. Meu sorriso de canto de lábio. Homem e seu duplo atracados no instante milímetro. Eu... eu... Um andrógino (im)perfeito.
(L. F. Calaça | 17/03/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 6:40 PM Comments:
Quinta-feira, Março 16, 2006
Adriana Calcanhoto
SENHAS
(Adriana Calcanhoto)
Eu não gosto do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu aguento até rigores
Eu não tenho pena dos traídos
Eu hospedo infratores e banidos
Eu respeito conveniências
Eu não ligo pra conchavos
Eu suporto aparências
Eu não gosto de maus tratos
Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas
O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu aguento até os estetas
Eu não julgo competência
Eu não ligo pra etiqueta
Eu aplaudo rebeldias
Eu respeito tiranias
E compreendo piedades
Eu não condeno mentiras
Eu não condeno vaidades
O que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Não, não gosto dos bons modos
Não gosto
Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 11:12 PM Comments:
Quarta-feira, Março 15, 2006
O MÍMICO
As mãos tocam o vazio, a parede invisível.
O corpo acaricia o nada, a idéia, o murmúrio.
O olhar, face branca e preta, mudo retrato.
A expressão, o desejo, do ser e sentir.
À sua frente a paisagem deserta e cinzenta,
a cidade amaldiçoada de arranha-céus.
Da boca, um beijo perdido na esquina
e o trem atropelando ilusões amarelas.
Uma única moeda rolando pelo canteiro
silenciosamente, até o boeiro aladago.
A mão de luva de pele-sangue estendida
em reverência ao homem de paletó xadrez.
Sob a fantasia paralítica e de farrapos,
uma carne que pulsa enlouquecida,
gritando a vida e o amor que se desfez
como aquela tarde em sua alcova estéril.
Os pombos negros e suas migalhas...
(L. F. Calaça | 15/03/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 2:57 PM Comments:
Terça-feira, Março 14, 2006
O LOUCO, O TRÁGICO...
à paixão dionisíaca
Derramo baldes de tinta negra,
sangue respingado e sobreposto,
no chão e na tela multimorfa.
Minha loucura e transfiguração.
Meus olhos amarelos pendentes
degolam o abismo deste grito,
que atravessa o vento, entre paradas
de homens nús e máscaras de vidro.
Palavras atravessam o infinito, em cartas
endereçadas ao poeta sem forma,
sem olhos, sem dedos, vagos sonhos.
O violino vermelho arrastou-me o espírito.
Sou a inconstância e o paradoxo do agora
e das estranhas estradas sem milênio,
onde caminho em cadeira de rodas
até o estado de silêncio e pulsação.
Assim, aqui, meu tempo e minha chama.
Espaço transtornado, mistério líquido.
Arranco com os dentes, sem dor,
minhas orelhas azuis de Van Gogh.
Grito mudo e apoteose.
(L. F. Calaça | 14/03/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 7:48 PM Comments:
Sábado, Março 11, 2006
DELÍRIOS E CALMARIA
A porta range meu silêncio
e delineia minha face atrás dos ombros,
onde penduro o guarda-chuva aberto.
Dia e noite, labirínto e partida.
Sendo... acendo a chama estraviada
sobre o lençóis e as cortinas invisíveis,
e atravesso a caos entre tornados
desfazendo-me, transmutando.
E as escadas... e os provérbios...
Meu encontro elíptico com o nada
e a planície intercalada pela brisa.
Espaço, tempo e descarga elétrica.
Gritos de pratos atravessando a noite.
Os tambores arrebentando os tímpanos.
Orgías de anjos e luto entre os insânos.
Meu improviso assim, em flor de lótus.
(L. F. Calaça | 11/03/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 5:35 PM Comments:
O SAX
Os pulsos cortados derramam sangue.
O urso branco olha a Lua invisível,
e o instante paralítico se bifurca
entre o eu e o desenlace de um nó.
Ondas batendo entre o espelho e a neblina.
Rajadas de vidro dilacerando a carne de papel.
Estilhaços vermelhos na parede insípida
do algo além de mim mesmo, novamente.
Meus lábios, suas fendas partidas
em meu duplo flagrante de poesia.
Sigo adiante a canção que assim vagueia
e adormeço meus signos em sincronia.
Rasgo meus trapos, minha pele vazia
e arrasto meus ossos negros pelo abismo,
onde dedilho a sinfonia dos amantes
que hoje são e amanhã...
Ou... Ou... Ouço um estranho grito na escuridão.
(L. F. Calaça | 11/03/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 5:25 PM Comments:
Sexta-feira, Março 10, 2006
PIRAMIDAL
A cama vazia - meu corpo.
Absurdo de minha sombra enlaçada
sob o calor de fronhas imóveis.
Espelho e ilusão repentina.
Seu odor invadindo minha memória
e o suspiro-sangue, suor e desejo.
Seu corpo respingando lágrimas
e o atrito dos sexos [agora fantasmas]
incendiando a alcova calada.
Partes fragmentadas daquela chama.
Seu coração transformado em pedra plana
e meu corpo, escultura solitária.
Sussurro...
............. ...torpor...
.......................... & silêncio.
Rosa vermelha e recanto.
(L. F. Calaça | 10/03/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 7:03 PM Comments:
ANTOLOGIA DOS NOVÍSSIMOS, Massao Ohno (1961)
Roberto Piva
vocês lerão agora a poesia de um jovem que tem vinte e três anos porque não teve coragem de matar-se aos quinze por isso arrasta-se pelo mundo sem Deus nem Amo pregando todas as violências contra a sociedade negociante amando jazz Beethoven Nietzsche Dostoievsky Kierkegard Sartre aceitando Marx Engels Bakunin Kropotkine influenciando-se por Sá-Carneiro Pessoa Guimarães Rosa Graciliano Ramos Mário de Andrade Jorge de Lima Drummond Vinícius recomendando à juventude ser contra os policiamentos interiores e exteriores achando que o cristianismo deve suicidar-se (p. 93)
POEMA 1
No intervalo absurdo em que vivemos,
Eis-nos suspensos:
Hastes que se alongam
Em direção à Morte.
As auroras colhem-nos
Renitentes
Soldados aos instantes
Onde a polpa dos dias
Sem névoa
Dissolve-se de encontro a línguas
Impossíveis.
Neste curto espaço
Entre nós e a Morte
Embarcamos nos convencionais minutos
Plantaremos discórdias
Implacáveis. E emancipados
Do noturno interior das fábricas,
Pálidos meninos
Renascerão ao sol.
POEMA 2
São anônimas e puras as meninas
Que brincam nas praças. Inspiradas
No dinamismo inocente
De estarem possuídas pelo sol.
Ainda existe
No fundo de todas as praças-parques
Um tempo piedoso gotejando o futuro
Através de tranças e sorrisos.
Somente meninas que brincam nas praças
Sabem colher a vida e retê-la
No coração das rosas.
Só elas sabem a profecia
Que palpita velada
No mistério dos lagos.
E há um instante
No fundo olhar dos meninos
Que só elas adivinham
E eternizam
São brancas e meigas
Como trapos de nuvens
As meninas que brincam nas praças
Quando fecundadas pela ingênua
Dádiva de luz
Que as adora.
Mas eis que a primeira estrela
Surpreende o adeus do sol
E um momento imóvel
Afugente as meninas
Que brincam nas praças.
(E as praças ficam vazias
como a vida)
POEMA 3
Nos traçados dos dias
O mundo
Se consome.
Nas trompas do tempo
Perdemos
Nossos gestos.
Em leitos apressados
Abandonamos
O amor: mito incongruente,
A fome das máquinas
Retalha
Nossas unhas.
Tábuas milenárias
Nos proíbem
A languidez das praias.
Gotejamos a vida
" burguesmente "
pelas fissuras
da Morte
LIBELO
Não mais trarei justificações
Aos olhos do mundo.
Serei incluído
" Pormenor Esboçado "
Na grande bruma.
Não serei batizado,
Não serei crismado,
Não estarei doutorado,
Não serei domesticado
Pelos rebanhos
Da terra.
Morrerei inocente
Sem nunca ter
Descoberto
O que há de bem e mal
De falso ou certo
No que vi.
MARÍTIMA
Desenrolemos este céu do roxo das nuvens
E mergulhemos nossos corpos
Mascarados de espanto
Nas ondas
Sublevadas.
Numa tensão de arcos
Renasceremos.
Em sete soledades
Refugiarmos nossos gestos
Que a vergonha das vestes
Amortalha.
E ao crepúsculo
Adormeceremos
Sublimados.
NOTURNO
Teus olhos não ficam bem senão em mim
Que desato o bouquet de tua angústia
Neste tempo de espera.
Sofres um solidão recortada
Na tarde de tuas pálpebras
Absorto no retorno das nuvens
Magoadas de outros climas.
Só eu sei, silêncio de jade,
Flor da manha, Deus triste,
O que te consola do vento.
Só eu sei que não sabes
Eximir-te do enfado,
Da noite, das bocas.
SAN PAULO'S IMPROVISATION
"Ruas do meu São Paulo,
A culpa do insofrido,
Onde está?"
MÁRIO DE ANDRADE
De um bar qualquer
Do Largo do Arouche
assisto São Paulo passar dentro de mim
Imerso na paisagem cinza-úmida
pela "água-benta das garoas monótonas"
como disse Mário de Andrade.
Do bar recorto no asfalto umedecido
o olhar dos pederastas
mariscando colegiais farfalhantes nas esquinas.
O cheiro morno dos Hamburgers
assalta-me
como uma náusea íntima
desprendida do vapor da alma.
Doces olhos das loucuras simples.
"mais um gin, todavia..."
Escorrego pela noite
cavalgando
o Exercito da Salvação:
"Não acham os senhores
que Deus está em toda parte?"
" Por isso mesmo não está
em parte alguma,
grito na minha inocência pagã...
"Malditos sejam os que..."
Escondo-me do mau agoiro.
Duas garotas
em rancheiras azuis
adolescem na calçada
fugidas da neurose territorial
da pequena-burguesia
paulistana.
o peso da solidão
me espreme
para fora de mim.
Recomponho-me na noite
não dando chance
ao mar interior
que urra
de tristeza.
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 4:54 PM Comments:
Quarta-feira, Março 08, 2006
SONOLÊNCIA
Imagens sufocando minha fala
Eu, sozinho na sala de cadeiras.
Cadeiras amarradas a mim
por grossas correntes de vidro.
O beijo apocalíptico revelando o grito,
que estronda e aprofunda o fluxo
de vibrações circulares do tímpano.
Frágil membrana de pele, hímen.
Seus lábios e sua língua delirantes
a vagar pela derme descoberta e azul.
O macio estalar ao som-ruído.
Meus pés sapateiam as nuvens.
Seguro os orifícios em sangue
- chagas de santo e pagão destroçado.
O muro atravessa apressado o sono
e me engoli, pulando o abismo.
(Imagens sonâmbulas invadindo o mundo)
(L. F. Calaça | 07/03/2006)
* canto de página:
Cadeiras
Fileiras de cadeiras
Milhares de cadeiras
............destroçadas
..........................Solavanco.
Cadeiras e poeira sobre meu pranto
............ - canto enfeitiçado de mim mesmo.
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 5:03 PM Comments:
Domingo, Março 05, 2006
PARANÓIA PIVIANA
Ó gente, acabo de criar um blog só com material de/sobre Roberto Piva.
Para os interessados, o endereço é:
www.roberto_piva.blogger.com.br
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 3:12 PM Comments:
Sexta-feira, Março 03, 2006
O Instituto de Gestalt Terapia da Bahia apresenta:
PROCESSO GRUPAL EM GESTALT TERAPIA
PALESTRA (gratuita): 09/03/06 (às 18:30)
CURSO: 10/03/06 (13:00 às 21:00 hs.) e 11/03/06 (8:30 às 18:00 hs.)
LOCAL: Faculdade Bahiana de Medicina e Saúde Pública
DOCENTE:
Jorge Ponciano Ribeiro
INFORMAÇÕES: (71)9948-6124 / 9192-0879 / lu.ag@ig.com.br / lbarbedo@hotmail.com
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 8:24 PM Comments:
Quinta-feira, Março 02, 2006
FOGO MORTO ou
UM DIA PÓS QUARTA-FEIRA DE CINZAS
Chamas mortas
extintas sob cinzas
Meu amor adormecido
(re)apagado neste peito
vazio, e em silêncio.
Poesia neste instante
em que dedilho o calar-se
quase insâno, em ausência.
Meu TU sem seu EU
Meu corpo sonâmbulo
sob a Lua minguada.
Chama morta entre escombros
deste sentimento-faísca
sem saída, sufocando.
(L. F. Calaça | 02/03/2006)
postado por: LUIZ FERNANDO CALAÇA DE SA JUNIOR 5:39 PM Comments: